terça-feira, 30 de junho de 2009

Amada

A solidão é minha amiga e a muito andamos de mãos dadas com o vento, ao relento e em dores de parto. A partida é lenta e fria, cruel e suculenta, porém, atenta e bem desatanta não me deixa. Juntos já choramos risos e rimos lágrimas, nos alegramos e pelo tempo também nos afundamos em lamentos, eu e ela, minha amada, a solidão, unidos precossemente pelo acaso. Já minguei a minha luz e ela padecera na escuridão das lembraças esquecidas de minha memória, quem de nós viverá então?
Ando ainda sozinho, por ai, a procurar incessantemente pelas retinas de meu olhar e os lábios de minha boca, que de tão rota já não se cala mais e se debruça em longos prantos. Nessas mobílias, já gastas e distântes dessa casa que não existe mais, há apenas meu coração tardio e milindroso, retido em autopiedade e aversão, porque na vida tudo que se almeja é necessário travar uma guerra pra conseguir? Séria mais fácil amar um amor que me ama, do que amar um amor ao qual é preciso consquistar, é duro o chaqualhar das ondas em meu peito apático. Algum dia durante uma era, quando os ciclos se completarem e as rosas desabrocharem, enfim, numa primavera linda, quero estar ao lado dela, qualquer que seja ela, que seja apenas amada. Ssentir-ou cativo do dor, sou couraça morta de uma flor.... ahhh solidão volta e me abraça, por um instante me tens e quero ser teu.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Duas partes

Hoje eu sou o meu algoz, me recorte em tiras, eu faço rima e a prosa é minha amiga. Me imagino numa noite fria sem ter o que comer como eu ou como você. Durante o dia eu fiz uma viajem por dentro de uma parte, um lado era eu o outro era obscuro, um meio mundo como num gibi, lutando por libertade, tinha sague, lágrimas e vários combos de ataque, eu era o héroi, meu outro era o vilão, enfim, tudo um, lutando contra o um por um destino só, a santidade. Restauro os meus cacos e o que me sobra é uma capa de um pouco de vaidade, pelo o que não fiz, por quem ficou só, pelo que eu deixei pra trás e de pior, no sonho ja fui rei, bedel e também juiz, agora o que eu sei é o ser fraco que ficou em mim, pedindo ajuda, uma esmola, um trocado pra criança comer na escola, eu sei, não sou. Eu me massacro, corto em partes as artérias pra lavar de sangue a alma,meu corpo indolente, que por muitas vezes mente pra não ficar só, duente de agonia, doendo de aflição, bem junto a sua mão pedindo súplica. Eu não quero me manter nesse juizo incolor, eu quero um pouco dessa dor, se for por amor, eu quero amor, não me justifico e nem fico de blá blá blá, eu já matei, ja me roubei, então me afundo nesse poço fundo pra curar a ferida estancada de uma bala de prata. Caminho cego entre o tiroteio, mas quem me tira dessa confusão é o mesmo que me atira pelo abismo da escuridão, eu não ligo, no final tudo vir pó, o mesmo pó que mata essas duas vidas; só. Durante muito tempo tentei me importar com quem não tem armamento pra se defender, fiquei mutilado, devendo meu espírito de corpo fechado, bom, se a vida é minha amiga ou não é minha amiga, há pessoas que não ligam e me determinão mina da estação da morte, quem sabe um trem de sorte. Eu fico por aqui com a ferramenta chave, que não deixo pra ninguém, o labirinto em mim é meu e é meu fim.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lembranças

A noite é fria e a janela está aberta. Entram por ela lembranças das quais ainda nem tive a oportunidade de desfrutar, por desfrute ou desbunde, talvez. Um dia olharei para trás e verei em mim um eu que não quis ser, pelo fato de ter deixado tanto por fazer. Entre o feito e o não feito ainda sim prefiro o desfeito. A vida é efêmera e nisso eu encontro conforto, até eu me arrepender, quem saiba, talvez eu me arrependa disso, até lá tentarei ser o mais prolixo possível com o que quero. Ser acertivo demais também fica chato, enfim, lembro agora das partidas intermináveis de rpg, das peladas dos fins de semana vestidas de álcool que eu nunca joguei e a lembrança mais nítida que tenho é de uma garota a qual eu conheci mas nunca vi, morava longe em outro estado físico e de espírito, mas me embalava em suas palavras em negrito por vales iluminados, até hoje eu a conheço, mas continuo sem vê-la, com a desculpa de que ja é tarde demais e o que é tarde demais pra uma pessoa de 20 anos de idade ? Bom eu sempre me escondi mesmo numa couraça sólida e maçante, a covardia, sempre quis tudo como se não quisesse nada e nada fiz por tudo o que eu quis, por isso fico aqui acordado em uma muda madrugada fria com a janela aberta lembrando das coisas que nunca fiz, recordando lamentações que nunca quis, chorando lágrimas à flor de lis. Ainda tenho vontade de fechar a janela, dormir na madrugada e fumar meu ultimo cigarro, mas de nada valerá se eu continuar a minguar o meu querer, o meu viver que tanto lutei para ter, então como sempre faço tento me contrariar porque minha melhores idéias me levaram para o fundo de poço e enterrado estou até agora. Termino a vida deixando pra tudo que um dia me fez feliz, a corda, a viola e a gaiola - a corda bamba por onde andei; a viola que toquei e cantei e por fim a gaiola onde me aprisionei.