quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lembranças

A noite é fria e a janela está aberta. Entram por ela lembranças das quais ainda nem tive a oportunidade de desfrutar, por desfrute ou desbunde, talvez. Um dia olharei para trás e verei em mim um eu que não quis ser, pelo fato de ter deixado tanto por fazer. Entre o feito e o não feito ainda sim prefiro o desfeito. A vida é efêmera e nisso eu encontro conforto, até eu me arrepender, quem saiba, talvez eu me arrependa disso, até lá tentarei ser o mais prolixo possível com o que quero. Ser acertivo demais também fica chato, enfim, lembro agora das partidas intermináveis de rpg, das peladas dos fins de semana vestidas de álcool que eu nunca joguei e a lembrança mais nítida que tenho é de uma garota a qual eu conheci mas nunca vi, morava longe em outro estado físico e de espírito, mas me embalava em suas palavras em negrito por vales iluminados, até hoje eu a conheço, mas continuo sem vê-la, com a desculpa de que ja é tarde demais e o que é tarde demais pra uma pessoa de 20 anos de idade ? Bom eu sempre me escondi mesmo numa couraça sólida e maçante, a covardia, sempre quis tudo como se não quisesse nada e nada fiz por tudo o que eu quis, por isso fico aqui acordado em uma muda madrugada fria com a janela aberta lembrando das coisas que nunca fiz, recordando lamentações que nunca quis, chorando lágrimas à flor de lis. Ainda tenho vontade de fechar a janela, dormir na madrugada e fumar meu ultimo cigarro, mas de nada valerá se eu continuar a minguar o meu querer, o meu viver que tanto lutei para ter, então como sempre faço tento me contrariar porque minha melhores idéias me levaram para o fundo de poço e enterrado estou até agora. Termino a vida deixando pra tudo que um dia me fez feliz, a corda, a viola e a gaiola - a corda bamba por onde andei; a viola que toquei e cantei e por fim a gaiola onde me aprisionei.

Um comentário:

  1. lindo demais.
    sem palavras depois de tudo que voce disse.

    apenas uma sensaçao de você.

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