domingo, 9 de agosto de 2009

Ao cair da noite

A noite cai e um silencio chega sorrateiro. Chega a me dominar de certo modo que somente eu e mais ninguem compreende essa abstinencia que sinto, abstinencia carnal da alma, sendo que em mim habita um outro ser, outro eu que nem sei quem é. A paz que não tenho chega a se transmutar em utopia e incosequente que sou, cometo várias vezes o mesmo erro de sempre. Naturalmente sigo sozinho, como quem está em volto a multidão e nada sente, nem vida, nem pulsar, nem o vazio, nada. Sou uma incognita incolor, quando me olho no espelho é o que vejo; sinto tudo sem ter tato, ouco a todos na minha surdez, é como se fosse uma maldicao hereditária quem vem de tempos em tempos pra me maltrar a pele e o peito, nem mesmo eu sei quem sou nesses momentos lúdicos de insanidade, chego a pensar se um dia realmente saberei quem sou, apenas eu, vestido completamente de nudez, dos pés à cabeca.
Nessa totalidade de sentimentos em ebulicao com a fusao dos meus pensamentos me martirízo sem precisão, chora e as lágrimas secas, como seca o solo da minha paixão. Cativo e estinto de mim mesmo, invisível aos meus próprios olhos. Continuo me consumindo e me devorando até o fim, sugando de mim a ultima gota, me deixo o bago, acabo e silencio que antes era estrangeiro agora se faz natural desse canto vazio, ele é da noite...
O crepúsculo me consome, lentamente aquém-mar, minha pele... tão perto... tão certo.



Suor e lágrimas num ébano total
A pele queima...
A alma chora.

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